terça-feira, 7 de julho de 2009

Paraíso da transgressão


Em “O Alienista”, Dr. Bacamarte médico formado em Portugal, instala-se em Itaguaí com o objetivo de estudar a loucura e sua classificação. Após muitas leituras científicas põe-se a levar para a Casa Verde, além de loucos mansos, os furiosos e os monomaníacos, cidadãos estimados e respeitados. Pessoas aparentemente ajuizadas, mas que, segundo as teorias do cientista, revelavam distúrbios mentais.
Trazendo para a atualidade temos o caso de Lindemberg, que seqüestrou e matou a ex-namorada Eloá Pimentel. O caso traz à tona incômodos questionamentos que a humanidade se faz sempre que está diante de situações como essa: como uma pessoa, até então insuspeita, é capaz de cometer um crime tão bárbaro? Por que umapessoa aparentemente normal pode fazer as piorescoisas sem sentir remorso?
Personalidades que podem, eventualmente, levar a gestos extremos como o de Lindemberg são mais comuns do que se imagina. A psicopatia atinge cerca de 4% da população, segundo a classificação americana de transtornos mentais - sendo assim, um em cada 25 brasileiros enquadra-se nesse perfil. Os graus de psicopatia variam do mais leve, como pequenos delitos e mentiras recorrentes, ao mais grave, que seriam os assassinatos e grandes golpes financeiros. As pessoas com perfil psicopático estão espalhadas em diferentes esferas do cotidiano, o desafio é identificá-los e saber lidar com eles.
"O psicopata é como o gato, que não pensa no que o rato sente. Ele só pensa em comida. A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sempre sabe quem é o gato" afirma Robert Hare.
O psicólogo canadense Robert Hare aponta como características de um psicopata o egoísmo, a falta de amor ao próximo e a indiferença em relação ao sofrimento alheio. Portanto, a maior parte da população mundial tem um certo grau de loucura! Vemos crianças morrendo de fome em um mundo com excedentes de alimentos, família sem atendimento médico, pessoas morrendo de doenças que já possuem cura, tudo diante da indiferença. Indiferença da população e dos governos. E pouco se vê horror ou indignação, porque banalizamos a tragédia e endurecemos nossos corações. Somos todos um bando de psicopatas!
Crianças continuarão a ser estupradas, inocentes mortos, velhinhos roubados e mulheres trancadas em suas casas... Vivemos feito bando de ratos aflitos, recorrendo à droga, à bebida, ao delírio, à alienação e à indiferença, para agüentar uma realidade cada dia mais confusa. Bem-vindos paraíso da transgressão!
Izabella

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